sábado, 13 de junho de 2015

Um final por terminar

A manhã estava prestes começar e a fraca luz do sol já se fazia ver. Com os primeiros raios a iluminar e a aquecer o frio que a noite tinha deixado para trás, lá estava ele deitado na sua cama. Tapado apenas com o lençol, mãos por baixo da cabeça, reparou como a luz do sol passava nos buracos da persiana e como ia dando vida ao seu quarto. Observava atenciosamente as partículas de pó que giravam em torno do raio do sol e como procurava simples respostas, mas nenhuma encontrava. Fazia neste preciso dia três anos que a sua noiva, Ângela, tinha sido assassinada e o sono parecia ter saído pela porta fora. Sendo um escritor, mas tornando-se também num consultor para a polícia graças à sua ótima capacidade de observação nos pormenores e reparar se as pessoas mentiam ou ocultavam um segredo. O principal motivo para tornar-se num era para seguir o caso e encontrar o responsável pela morte da sua noiva, mas mais tarde via que podia ajudar noutros casos e de certa forma para trazer alguma paz às famílias. Algo que ele não tinha.
Após uma noite sem dormir puxa o lençol para trás, e quando ia levantar-se olhou para esta almofada branca que ali estava. Colocou a sua mão nela, fechou os seus olhos e esfregou-a lentamente. Parecia conseguir sentir de novo o morno como antes fazia, e isso fez recordar-lho aquelas manhãs sorridentes, aqueles invernos aconchegadores. Mas que agora tudo parecia ter perdido o seu sentido e apenas permanecia o vazio. Levantou-se da cama com esta constante nostalgia que era lembrada ao cair de uma lágrima naquelas manhãs silenciosas. Enquanto lavava a cara sentia o escorrer da água fria pelo rosto abaixo, parecia fazer um retrato de cada cicatriz marcada na sua alma. Fechou a torneira, pegou na toalha e limpou a cara. Saiu da casa de banho, vestiu o fato com o colete debaixo do casaco, calçou os seus sapatos de vela cinzentos e saiu de casa.
Já dentro do carro, parou à frente de uma florista e comprou uma linda rosa vermelha que lá estava. Agora que tinha o que precisava ia a caminho do cemitério. Estando cada vez mais perto sentia os olhos pesados de aguentar as lágrimas, a força nas pernas parecia ter desaparecido e a sua respiração que mais pesada era. Finalmente chegou, e ali estava ele de frente para a campa da sua noiva com a rosa na mão. Parecia como se fosse ontem, e ao pousar reparou neste bilhete com um desenho de uma rosa que ali estava em cima da campa. Pegou nele, olhou em seu redor e ninguém se via ou ouvia por perto. Apenas o som das folhas a abanarem com o vento. Sentou-se e abriu o bilhete… 


Parte I | Ver Parte II

18 comentários:

  1. Bem, voltaste com a inspiração toda ^^ anseio pela continuação. E parabéns pela beldade das palavras. Beijinho e bom fim de semana.

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  2. Há pormenores que nunca conseguimos esquecer e feridas que parece que nunca saram. Adorei e estou bastante curiosa para ler a segunda parte!

    Beijinhos*

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  3. O que dizia o bilhete?? Agora eu quero saber lol

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  4. Continua Pedro ;) Fiquei curiosa... e muito mesmo :)

    Beijinho*

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  5. Um texto simplesmente fantástico, este regresso está a ser em grande :)

    http://ummarderecordacoes.blogs.sapo.pt/

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  6. Belo texto, um pouco triste, ou talvez, seja a minha percepção do momento.

    Bjos

    http://chuvadecamelias.blogspot.com.br/

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  7. r: Muito obrigada *.* concordo totalmente contigo!

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  8. O texto está fantástico. Adoro a descrição... (fez-me lembrar o mentalista)

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  9. Muito bonito, espero pela parte III para continuar a história :)

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